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Terra Blog

Arquivo de: Março 2007

31.03.07

Tenho medo da Feira do Livro continuar canalha

AINDA FEIRA CANALHA?
Há algum tempo atrás, escrevi um artigo chamando a Feira do Livro, ridiculamente chamada Pan Amazônica do Livro, e outros penduricalhos, de Feira Canalha do Livro. Sabia que estava indo de encontro ao tal pensamento único, trabalhado febrilmente através de propaganda maciça em todos os meios de comunicação. O que se tinha em mente era que a Feira era um sucesso de público e vendas. Como duvidar disso?
Agora, o novo governo começa a programação para mais uma Feira do Livro. Mesmo que a escolha dos titulares se dê de maneira política, com o secretário e o superintendente da Fundação Tancredo Neves de partidos diferentes. Mesmo que a nova equipe seja formada por pessoas sem experiência na administração cultural, ainda assim eu acredito nessa mudança, até porque pior do que estava, quase impossível. Colegas escritores estão visitando escolas em municípios do Pará, para conversar sobre suas obras. Li que durante a semana, os alunos discutem sobre o trabalho do visitante, para melhor debater. Bom. Mas há algo que me perturba e sem isso, impossível melhorar o conceito da Feira. Claro que posso passar por metido a saber de tudo, enfim, mas o blog é meu e é assim que penso.
Se o realizador desta Feira é uma empresa privada, como há muitas, alugando um espaço, fechando negócio com livrarias e editoras, e tirando seu lucro de percentual de vendas, enfim, nenhum problema. É um negócio e palmas porque beneficia a Literatura. Bacana. Mas quando o realizador é o Governo do Estado, tudo muda de figura. Porque uma Secretaria de Cultura trabalha para, de um lado alcançar o maior número de pessoas com a Cultura e de outro, propiciar aos escritores locais, a melhor maneira de mostrar seus trabalhos. Assim, seu ano é dividido entre programas que lançam novos autores, outros que relançam importantes obras já esgotadas e principalmente, através de diversas e constantes ações, que popularizam os escritores já com obras lançadas. Esse movimento visa criar um mercado de literatura, onde os paraenses, a longo prazo, claro, passarão a consumir o que é produzido aqui, evidentemente, além de outros livros de autores nacionais e internacionais. Assim, em um determinado momento do ano, realiza-se uma Feira do Livro, com o ápice de toda essa programação, com muitas noites de autógrafo e condições para que público e autores sejam beneficiados. Com tudo isso preparado, também haverá espaço para editoras, livrarias e principalmente uma programação de famosos autores nacionais, que dividirão a cena com os locais, de igual para igual, até mesmo em debates. Isso é fazer uma Feira do Livro. O que acontecia no governo tucano é que simplesmente não havia nenhum programa de incentivo aos autores, relançamento, popularização, nada. E na Feira, os tolos interessados ainda assim em participar, ganhavam um pequeno espaço para isso. Em situação oposta, autores como Veríssimo, Zuenir Ventura, Ignácio de Loyola Brandão, gente assim, saía daqui feliz da vida. Passagem, hospedagem, filas e filas de autógrafos, passeios, jantares, que bom! Aos autores locais, nada. Tenho medo que por absoluto despreparo, ou por manter a mentalidade da administração anterior, tacanha e boçal, a Feira do Livro continue canalha. Tenho medo.
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  • Postado em 01:10:27

27.03.07

Waters em março

Eu estava em pleno gramado do Morumbi e no palco, um punhado de músicos ingleses tocava um r&b pesado, enquanto o balão no formado de um porco passeava pela platéia. Todos cantavam, inclusive os seguranças e não pude segurar o choro. Era muita emoção junta, mais os significados das canções para cada um de nós, a maioria “tiozinhos”, naquele show de Roger Waters.
Li algumas críticas e deu para pensar. Show com músicas do Pink Floyd, mas apenas com um dos integrantes no palco, Roger Waters, autor da maioria das músicas e letra, mas não um showman, já que é baixista, deixando as maiores evoluções para a guitarra de David Gilmour. Então, de alguma maneira, é como se estivéssemos ouvindo uma banda de covers, por um preço altíssimo. Realmente, dá para pensar.
Minha ligação efetiva com o Pink Floyd iniciou com Wish you were here, onde Waters começou a escrever letras melancólicas, utilizando a dor pela doença que tirou Syd Barrett, membro fundador, do seu convívio, letras sobre o relacionamento humano, a força da grana mas, por outro lado, liberou inteiramente a guitarra de Gilmour para seus choros blues sensacionais. Até então, eu sabia da banda porque já trabalhava em rádio. Porque o Edgar me mostrava See Emily Play, Arnold Lynne. Porque rolou Ummagumma, Meddle, o filme do Antonioni, aí, a banda, saindo de peças curtas, psicodélicas, levadas por Barrett, para algo mais viajante, baladas longas, com a banda tateando, mas fazendo seus fàs trafegarem por mundos e mundos. Os shows eram longos, a platéia viajando e a maresia no ar. Há também, e não lembro como encaixar, o Atom Heart Mother, belíssimo, anos 70, o com aquela vaca na capa. Não consigo encaixar. É uma peça longa, com orquestra, sopros. Uma das faixas foi utilizada pelo Jornal Nacional, da Globo, bem no comecinho. Mas sei que depois de Dark Side of the Moon, a convivência entre os músicos piorou. O dinheiro finalmente jorrou e talvez isso tenha sido ruim, como sempre ocorre. Há livros contando a história da feitura do Dark Side. Os problemas e as soluções. As baladas tomam forma. As letras. A guitarra de Gilmour. O hit para Money e a lenda do disco mais vendido de todos os tempos, permanecendo, tal qual Thriller, de Michael Jackson, nas paradas. Mas eu me achei no Wish you were here. E depois há The Wall. Estavam brigadíssimos. Um dos produtores, creio que Bob Ezrin, levou as fitas para sua casa, no Canadá. Ouviu tudo, colocou em seqüência e chamou Waters, o autor de praticamente tudo e que na gravação utilizara muitos músicos contratados. Chegou a demitir Nick Mason e Rick Wright por incompetência, por não obedecerem horários, enfim. E escreveu The Wall misturando tudo, a pressão que os superstars sofrem, virando confortably numbs, como Syd Barrett, novamente, mas principalmente sua própria dor de perder o pai na Segunda Guerra Mundial. Waters transformou essa dor em bilhões de dólares. Lembrei disso quando assisti ao show, com imagens de guerra, signos do filme, belíssimo, dirigido por Alan Parker e com desenhos, não lembro agora o autor, fabulosos. Tenho um cd duplo de apresentação ao vivo de The Wall. Depois veio The Final Cut, sobras do Wall, mas só estava Waters. E acabou. Gilmour voltou com A Momentary Lapse of Reason, creio e sei lá. Tudo bom, digno, ótimos músicos, letras da esposa, mas sem o fogo de Waters. Voltaram a tocar no Live Aid mas convenhamos, são sexagenários riquíssimos. Como convence-los? Dinheiro? O mais recente cd de Gilmour emula todo o som da banda. On a Island, procurem.
Ingleses, como americanos, são burros, e pensam no resto do mundo apenas como lugares para atuar como predadores. Imagino o susto ao perceberem a platéia cantando aos berros. Ao meu lado, o circunspecto segurança, paletó armário e tudo, canta. Eu, às lágrimas, também. Os músicos são ótimos. Três guitarristas, um deles, bem exibido, e eu pensando que ainda o pagam para estar ali. No ar, aquele cheiro de maresia, bem forte, no centro do gramado. A multidão, no entanto, não pula e urra querendo quebrar tudo. Os tiozinhos querem é lembrar como era bom. Cantar as letras, vibrar juntos, assistir ao show. Bela maneira de comemorar um aniversário!
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  • Postado em 02:04:56

23.03.07

Estádio Edgar Proença

ESTÁDIO EDGAR PROENÇA
Meu irmão Edgar avisa que soube de ato da Governadora Ana Julia Carepa, decidindo, em nome do Governo do Estado, manter o nome do Estádio Estadual Edgar Proença, após temporada em que o governo tucano derrotado fragorosamente nas urnas, pretendeu suprimir o nome do jornalista. Em nome da minha família, os agradecimentos. Em nome, também, dos jornalistas e radialistas da área esportiva, meu agradecimento.
Quando foi inaugurado, ainda inacabado, o Mangueirão recebeu o nome de Estádio Estadual Alacid Nunes. Alguns anos depois, meu pai foi procurado pelo deputado Miriquinho Batista, que lhe disse da vontade em propor a troca do nome do estádio, tendo em vista lei proibindo dar nome a prédios públicos, de pessoas ainda vivas. Meu pai concordou por achar justa a homenagem, mas disse que não tomaria parte da iniciativa, por não querer se intrometer em jogo político. Se Miriquinho obtivesse, tudo bem. E assim foi.
Veio o governo tucano e o término da obra. Claro, imediatamente, propaganda brutal foi desenvolvida, dando conta que o estádio era obra do governo tucano, o que é absurdo, mas, dia após dia, sem parar, quase virou verdade. Pior, anunciaram que a partir dali, o estádio viraria apenas Estádio Olímpico. O governador mequetrefes de então, chegou a dizer que nenhum nome era maior do que os interesses do Estado. Gostaria de lhe dizer então, para retirar o nome de uma escola, ali na Augusto Montenegro, homenageando sua genitora. Deixa pra lá. Não conseguiu. Era preciso votar uma lei. Veio o então presidente da AL, Martinho Carmona, e deu uma engavetada na idéia. Mesmo assim, em toda a torrencial propaganda oficial, era apenas Estádio Olímpico. Perderam novamente. Felizmente, todos os companheiros radialistas e jornalistas, não somente da área esportiva, mas de todas as editorias, nunca deixaram de se referir ao Estádio por seu verdadeiro nome. Eles compreenderam que mais que Edgar Proença, a maior homenagem era aos profissionais que levam, durante a semana milhares aos campos de futebol e se mantém, milhões, ligados no rádio ou na tv.
Quando ao meu avô, foi um dos fundadores da Rádio Clube do Pará, PRC-5, a Poderosa, que completa 79 anos nos próximos dias. Mais ainda, foi um dos primeiros narradores esportivos do Brasil. Jornalista, apelidou o Remo de “Leão Azul”. O Maguenhéfico merece a homenagem. Ainda convivi muito com ele. Já não era o dínamo de antes. Desgastou-se muito. Foi, para mim, um avô carinhoso, cheio de conselhos, brincadeiras inteligentes e permitindo livre acesso à sua biblioteca. Nada como um dia após o outro.
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  • Postado em 00:43:00

20.03.07

Com o cinema em dia

CINEMA EM DIA
Como vocês sabem, não vou mais ao cinema. Assisto em DVD e agora, tendo em vista a crise no setor, por conta da pirataria, os filmes estão sendo lançados com rapidez para os aparelhos domésticos. Assim, passo na Fox, meu amigo Java está a postos e ponho meu cinema em dia.
A Grande Ilusão
Um filmaço, clássico, mas na medida. Feito a partir de um romance, autoria de Robert Penn Warren, vencedor do Premio Pulitzer em 1946, cujo título ou é All the King’s Men ou Harcourt, fiquei confuso quanto aos créditos. Super romance, com todos os detalhes como amor, intriga, ódio, crimes, enfim. O cast reúne Sean Penn, Jude Law, James Gandolfini (Sopranos), Kate Winslet, Mark Ruffalo e Anthony Hopkins.
Louisiana, EUA. O Estado tem muita gente rica em função de petróleo e muita gente pobre, que vive nos pântanos. Aparece Sean Penn, como Willie Shark, caipira que se torna o gobernador. Jude Law é filho da aristocracia, mas é também premiado jornalista e adere a Shark, terminando por enfrentar Anthony Hopkins, antigo e celebrado juiz, que embora o tenha criado, como padrasto, tem lá atrás, um crime que o possibilitou chegar ao cargo. Envolvidos também Kate Winslet e Mark Ruffalo, irmãos, amigos de infância, ela, paixão antiga de Jude. Tudo acaba em grande desgraça. Amor, crime, paixão, roubo, ódio, tudo.
A Última Aposta
Produção de Danny DeVito, direção de Mark Rydell. O filme trabalha diversos aspectos negativos dos viciados em jogo. Kim Basinger é uma escritora que se vicia e engana a família, principalmente Ray Liotta, o marido. Tim Roth é um broker, que aperta Forest Whitaker e este, seu irmão mais novo, promessa do basquete universitário, para forjar resultados. Danny DeVito é mágico fracassado e se junta a Basinger para uma última tentativa. É bom de ver, mas depois da Grande Ilusão, não dá.
O Céu de Suely
Super premiado filme de Karim Ainauz, é isso? Destaque para Hermila Guedes. Filme de diretor, para diretores. Paisagem árida. Elenco muito bem escolhido. Boas cenas. Hermila realmente é uma grande atriz. Ela volta para casa depois de ter estado em São Paulo. Traz um filhinho. O namorado, que viria em seguida, some. Sem saber o que fazer, resolve fazer uma rifa do próprio corpo. O problema é que não acontece nada. O filme vai e termina de repente. Não gostei.
O ano em que meus pais saíram de férias
Filmaço de Cao Hambúrguer. Elenco ótimo. O garoto é lindo e faz chorar. A idéia da mistura da festa pela vitória do Brasil na Copa de 70 pela expectativa da volta dos pais, que na verdade estavam presos pela repressão é boa. Os judeus do bairro do Bom Retiro estão ótimos. A garotinha que cobra para os colegas verem, através de buracos na parede, moças provando roupas na loja de sua mãe é ótima. Schlomo, o velho que cuida do garoto é maravilhoso. Muito bom.
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  • Postado em 00:21:32

15.03.07

30 anos de Rádio Cultura

O chato disso é revelar como o tempo passa. Trinta anos atrás. O Dr Raul Navegantes foi até meu pai pedir ajuda para montar uma emissora em Onda Tropical, que seria a Rádio Cultura. Foi assim que trabalhei na montagem e inaugurei a emissora, juntamente com esses amigos aí, em foto feita em Marituba, sede original. Tateamos por algum tempo a programação ideal para esta emissora de Cultura. Infelizmente, na medida em que passou a ser ouvida, despertou, nos políticos, a cobiça por ter seus nomes falados e badalados e de repente, fizeram mudanças. Eu já estava fora. Mas foram belos dias, sem dúvida alguma.

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  • Postado em 17:38:52