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	<title>POLAROADS</title>
	<subtitle type="html">Instant&#226;neos da vida</subtitle>
	<updated>03.07.08 23:57:26</updated>
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	<tagline>Instant&#226;neos da vida</tagline>  
	   
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		    <title type="text/plain" mode="xml">N&#227;o podia dar certo</title>
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		    <updated>04.11.08 23:57:26</updated>
		    <published>03.07.08 17:28:13</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">N&#227;o podia dar certo Sou Flamengo, mas como tanta gente, assisti &#224; decis&#227;o da Libertadores da Am&#233;rica, entre Fluminense e LDU. Dif&#237;cil. Antes, quando o jogo foi contra o Boca Juniors, tentei torcer a favor e terminei com os argentinos, pela vol&#250;pia, troca de passes, din&#226;mica, postura. Do outro lado, um monte de tricolores sem t&#225;tica, apavorado, mal treinado, exatamente o que se repetiu na decis&#227;o. Ap&#243;s assistir a belos jogos na Eurocopa,&#160; o&#160; do Fluminense foi p&#233;ssimo. Logo no come&#231;o, era a LDU a dar as cartas. O meio campo tricolor, com dois cabe&#231;as de &#225;rea p&#233;ssimos em defender e armar, mais dois armadores nervos&#237;ssimos, Conca e Thiago, dois laterais sem postura, um atacante lento, todos batendo cabe&#231;a. N&#227;o havia troca de passes, somente chut&#245;es, nenhuma jogada pelos lados do campo, nada. E todos ao ataque, com total irresponsabilidade, at&#233; sofrer o primeiro gol. E os equatorianos, fora dois ou tr&#234;s, s&#227;o bem fracos. Pois v&#227;o at&#233; os p&#234;naltis e espantosamente, s&#227;o os brasileiros que est&#227;o nervosos, despreparados, submissos, de moral baixa. Se a torcida fosse contra, diriam ter sentido a press&#227;o. Agora que a torcida era a favor, sentiram, tamb&#233;m? Nosso futebol est&#225; em um momento delicad&#237;ssimo. Nossos times, que a cada ano s&#227;o mais e mais depenados de jogadores, est&#227;o horr&#237;veis. N&#227;o temos bons atacantes, bons armadores, nem defensores. Passamos a admirar a troca de passes e dribles de hermanos como Conca, Valdivia e outros. Dif&#237;cil torcer pelo Flu. Renato Ga&#250;cho mostrou que n&#227;o &#233; t&#233;cnico. Gerenciador de grupos, incentivador, boa gente, tudo pode ser, mas n&#227;o &#233; t&#233;cnico. Sua equipe estava com os nervos &#224; flor da pele, mal escalada, sem desenho t&#225;tico, preparo f&#237;sico e psicol&#243;gico. Chegou &#224;s finais por sorte e brilho de alguns jogadores como Conca e Thiago Neves. N&#227;o podia dar certo </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">Torcendo pelo inimigo</title>
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		    <updated>25.01.08 12:32:38</updated>
		    <published>21.01.08 14:19:04</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Torcendo pelo inimigo A melhor fotografia do atual est&#225;gio do futebol paraense &#233; a equipe de an&#245;es, formada pelo t&#233;cnico Lucena, da Tuna Luso Brasileira. Viramos uma atra&#231;&#227;o de circo, desses que percorrem o interior, com le&#227;o desdentado e palha&#231;os esfomeados. No resto do mundo, o futebol &#233; uma mina de dinheiro. Domingo passado, assisti ao Real Madri jogar. Depois, com um toque de bot&#227;o, passei &#224; estr&#233;ia de Pato, no Milan, cercado por Kak&#225; e Ronaldo. E aqui? H&#225; muito, nossas equipes sequer jogam aos domingos, em sua queda da Primeira para a Segunda e agora, Terceira Divis&#227;o. O campeonato regional foi for&#231;ado a ser reduzido ao in&#237;cio da temporada, como algo inc&#244;modo. Os est&#225;dios s&#227;o ru&#237;nas que n&#227;o resistem &#224; m&#237;nima fiscaliza&#231;&#227;o. Os clubes, na mais completa mis&#233;ria, seguem em frente rumo ao suic&#237;dio. No Paysandu, o t&#233;cnico recebe 35 mil reais por m&#234;s. &#201; sal&#225;rio de grande empres&#225;rio nacional. E este milion&#225;rio chega diariamente &#224; Curuzu e se depara com o qu&#234;? Amadores, semi amadores, veteranos e pernas de pau querendo uma chance. Est&#225;dio em ru&#237;nas. No Remo, pior, chegam doze, quinze jogadores de fora. Onde estavam estes &#8220;grandes&#8221; jogadores, desempregados, na abertura da temporada, fora das duas primeiras divis&#245;es? Querem enganar a quem? E tudo isso por ingenuidade, incompet&#234;ncia ou corrup&#231;&#227;o? Para n&#227;o ficar apenas reclamando, fa&#231;o algumas propostas, que no m&#237;nimo servir&#227;o para debate. Tenham humildade e pe&#231;am para sair. Deixem que os jovens ocupem os lugares. Contratem gente sa&#237;da das faculdades. T&#233;cnicos, profissionais de gest&#227;o, marketing, fisiologistas. Transformem o clube em empresa. Hoje, Remo e Paysandu n&#227;o oferecem nada aos associados, mas pode ser que em algum tempo, possam retomar atividades. Zerem tudo no futebol profissional. Apostem nas divis&#245;es de base. Conformem-se em sofrer por um ano ou dois. Nem as trag&#233;dias no futebol do Maranh&#227;o e Amazonas foram suficientes? Transformem os est&#225;dios em geradores de renda. Apliquem as t&#233;cnicas profissionais que s&#227;o aplicadas nas empresas que dirigem em sua vida fora do esporte. Ou isso n&#227;o &#233; amar o clube? Valorizem o campeonato regional. O Par&#225; &#233; diferente. Tem dimens&#227;o de um pa&#237;s. Apostem no marketing. Negociem com as prefeituras. O governo precisa ter interesse. S&#227;o impostos, dinheiro que vai circular. Turismo. Considerem se vale a pena continuar com a CBF, que n&#227;o nos v&#234; com boa vontade. E se juntarmos Par&#225;, Maranh&#227;o, Amazonas, Acre, Rond&#244;nia, Roraima, Amap&#225;, Tocantins e at&#233; Cear&#225; para outra divis&#227;o? Somos diferentes. Para n&#243;s &#233; ver&#227;o, para eles, inverno. E, mais adiante, se conseguirmos torneios com os pa&#237;ses da Amaz&#244;nia Legal? Hoje parece bobagem, mas n&#227;o &#233;. Patroc&#237;nio, internet, integra&#231;&#227;o. No Par&#225;, conseguiram o imposs&#237;vel. Magoaram os torcedores. Envergonharam quem vai a campo. Foram golpes seguidos. Um atr&#225;s do outro. Estamos todos magoados. Tristes. At&#233; as goza&#231;&#245;es que se ouvem nas esquinas, t&#234;m um tom de lam&#250;ria. Pe&#231;am para sair. Deixem os jovens tomar o controle. E n&#243;s, da imprensa, inevitavelmente s&#243;cios do neg&#243;cio futebol, que apostamos em tecnologia, em pessoal, que temos a credibilidade dos anunciantes e torcedores, precisamos sentar &#224; mesa de negocia&#231;&#245;es com nossos s&#243;cios. Ou ent&#227;o passaremos a transmitir, com todas as equipes, r&#225;dio, jornal e televis&#227;o, a um Remo x Paysandu de an&#245;es, como circo mambembe. E isso precisa ser j&#225;. Todos os mesmos erros est&#227;o se repetindo. Quem vai pagar por isso. Os torcedores deixaram de torcer pelo inimigo. </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">macap&#225;</title>
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		    <updated>01.01.08 12:56:38</updated>
		    <published>27.12.07 11:34:45</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">N&#227;o ia a Macap&#225; h&#225; quase dez anos. A &#250;ltima vez, para apresentar Convite de Casamento no Teatro das Bacabeiras. Agora, para dirigir no palco o show que comemorou os 50 anos de Jo&#227;osinho Gomes e Val Milhomem, o primeiro, grande figura da m&#250;sica paraense, n&#227;o festejado por aqui na medida certa, pelos velhos motivos de nossa &#237;ndole e talvez por sua timidez. O segundo, figura mais caracter&#237;stica de Macap&#225;. Nilson Chaves foi o catalisador das a&#231;&#245;es, aproveitando a mesma equipe que desenvolveu o projeto que comemorou seus 50 anos h&#225; alguns anos atr&#225;s, aqui em Bel&#233;m. Mais de cinq&#252;enta artistas reunidos, todos cantando m&#250;sicas dos autores festejados. Quase todos os hot&#233;is lotados. Respirou-se m&#250;sica por alguns dias. Quando l&#225; cheguei, dois dias antes, j&#225; houve o lan&#231;amento do cd de Juliele, cantora local, produzido por Nilson e Celso Vi&#225;fora. T&#250;lio Feliciano dirigiu, no Teatro das Bacabeiras, lotado. Encontrei Carlos Henry Sandoval na plat&#233;ia. &#192; noite, rodas no Hotel Macap&#225; para os artistas se mostrarem, uns para os outros. No dia seguinte, passagem de som. Muitos artistas juntos. Posso dizer que os paraenses impressionaram muito gente como Jean Garfunkel, Luli e Lucina, ouvindo, atentos. E Macap&#225;? Bel&#233;m h&#225; dez anos? Ruas esburacadas. Falta de cal&#231;ada. Camel&#244;s. Lojas de importados. Alguns com carros importados. Lanchas gigantescas. N&#227;o tenho muita id&#233;ia da pol&#237;tica de l&#225;. O governador pareceu simp&#225;tico, claro. &#201; jovem, tem postura, mas leio aqui e ali, em blogs, coisas terr&#237;veis. Fico pensando em quanto em riqueza j&#225; se tirou dali. Pensando nos homens p&#250;blicos de l&#225; e daqui. Uma pena. O Teatro das Bacabeiras est&#225; recuperado e muito bom, pelo que notei, sem chegar a seus bastidores. Uma das recepcionistas, tamb&#233;m psic&#243;loga, trabalha com teatro. Falou-me de algumas atividades e claro, aus&#234;ncia de pol&#237;tica na &#225;rea. De repente, vou com Nilson a um galp&#227;o onde est&#225; sendo gravado um programa de televis&#227;o local. &#201; de audit&#243;rio, mas n&#227;o tem p&#250;blico. Penso que colocam grava&#231;&#227;o de palmas e risos. O apresentador &#233; Olympio Guarani, que militou por bom tempo em Bel&#233;m, no in&#237;cio da carreira. Com ele, duas mo&#231;as de biqu&#237;ni e gorro de Noel, al&#233;m de um dj fazendo barulho. E no entanto, suas atra&#231;&#245;es s&#227;o Sebasti&#227;o Tapaj&#243;s, Nilson Chaves, Celso Vi&#225;fora e j&#225; est&#225; chegando um coral infantil.. H&#225; outros programas ao vivo em Macap&#225;, absolutamente loucos. Uma dupla, a qual n&#227;o lembro o nome, atua como a dupla Vesgo e Silvio Santos, do P&#226;nico. Tudo tosco. H&#225; outros, na linha de compras e tal. Tudo bem tosco, mas sinceramente, louvo a coragem. O local do show &#233; um dos mais belos onde j&#225; estive. N&#227;o conhecia. A Fortaleza de S&#227;o Jos&#233;. Restaurada, linda, &#224; beira do Amazonas/Oceano, ventando deliciosamente, sempre. Em seu entorno, gramados, pistas de corrida, tudo lindo, bem feito e se me entendem, sem megalomania. L&#225; dentro, ao ar livre, o palco. Claro que era perigoso, nesta &#233;poca de inverno. Mas o dia estava razoavelmente bonito. A noite iniciou limpa, embora sem estrelas. As vans v&#227;o despejando os artistas. A hora para come&#231;ar era oito da noite. Muito pouco p&#250;blico. Os locais me dizem que a hora de chegada n&#227;o &#233; essa. Mais tarde. Realmente. Fica lotado. Os Cabu&#231;us, dupla local que faz sucesso em humor, fazem o in&#237;cio. N&#227;o acho gra&#231;a nenhuma, mas os dois s&#227;o educados, prestativos, ligados. Uma mulher que toca tambor de marabaixo inicia, de maneira sensacional. &#201; uma fabulosa performer. Quanto sangue, verdade e talento! Mais um desses esc&#226;ndalos brasileiros que permanece apenas local. J&#225; estamos chegando &#224; metade quando vem o primeiro pingo. Chove. Alguns correm buscando prote&#231;&#227;o. A maioria suporta. Passa. Vem a segunda. Agora, a plat&#233;ia se cobre com as cadeiras de pl&#225;stico. No palco, os m&#250;sicos, tamb&#233;m, protegem-se com pl&#225;sticos negros das goteiras em seus instrumentos. E ent&#227;o vem a terceira, uma tempestade, com rajadas de vento. Correria. Blackout. Pena. Os mais famosos nem se apresentaram. Garfunkel, que cantou, disse-me estar chateado pelos companheiros. O artista fica ligado. Ensaiou. Pensa na m&#250;sica. Na melhor maneira. Olha o p&#250;blico. O que vai fazer. O acompanhamento. Faz tudo isso enquanto circula, aguardando sua vez. Est&#225; ligado. Mais ainda porque al&#233;m do p&#250;blico, h&#225; colegas famosos que v&#227;o assisti-lo. E de repente, acaba tudo. Muito chato. Nilson est&#225; bem chateado. O &#8220;capit&#227;o&#8221; re&#250;ne com os produtores locais. H&#225; v&#225;rias propostas, mas nenhuma &#233; razo&#225;vel. Vamos todos para o hotel onde forma-se uma grande roda, comandada por Luli, Vicente Barreto e Chico C&#233;sar. A festa vai longe. No dia seguinte, o Airbus da Tam vem lotado de artistas. O bom astral permanece. &#192; bordo, um grupo de baile havia tocado em Macap&#225; e regressava. Agora, todos pedem aut&#243;grafos e tiram fotos. Haver&#225; pr&#243;xima vez? Tomara </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">luxo 2</title>
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		    <updated>26.12.07 15:20:40</updated>
		    <published>26.12.07 15:20:40</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">LUXO 2 Gilles Lipovetsky disse que a sociedade prega o prazer, mas tamb&#233;m traz com isso a depress&#227;o, ansiedade, stress e inquietude. Quanto mais ganhamos, menos somos felizes. Podemos comprar prazer, ou momentos de prazer. Eu sou infeliz porque n&#227;o tenho aquele cinto de couro da Ellus, que acabou de sair e ainda n&#227;o chegou aqui, ou j&#225; encomendei e n&#227;o veio, ou n&#227;o tenho dinheiro para comprar. Rousseau diz que &#8220;a felicidade est&#225; na rela&#231;&#227;o da pessoa com ela pr&#243;pria e com os outros&#8221;. Em outras palavras, aquele milion&#225;rio que passou, pode ser infeliz. Temos tudo e n&#227;o somos felizes. A felicidade &#233; fr&#225;gil. Ent&#227;o, essa procura incessante por prazer. Queremos o Para&#237;so aqui e agora e n&#227;o levar uma vida de sacrif&#237;cios para merec&#234;-lo ao morrer. Confirmem tudo isso na entrevista de Lipovetsky &#224; revista Cult, nas bancas. Mas tamb&#233;m leiam O risco de cada um, do psicanalista Jurandir Freire Costa, sobre a rela&#231;&#227;o do sujeito com a transcend&#234;ncia. Parece complicado, mas n&#227;o &#233;. Pelo contr&#225;rio. Jurandir estudou sobre a sexualidade, romantismo amoroso, culto ao corpo, fasc&#237;nio pelas celebridades midi&#225;ticas e o consumismo, que vieram ocupar o lugar deixado pela perda de autoridade da pol&#237;tica, fam&#237;lia, religi&#227;o, apre&#231;o pelo trabalho e etc.. Ele acha que h&#225; uma renova&#231;&#227;o de valores, um rearranjo do ide&#225;rio moral b&#225;sico. Na cultura ocidental, a id&#233;ia de Deus e transcend&#234;ncia divina, teve matriz religiosa judaico crist&#227; e ideais de persuas&#227;o racional da cultura grega, que nos deram os instrumentos fundamentais para discernir entre o desej&#225;vel e o conden&#225;vel na conduta &#233;tica. A moral do sacrif&#237;cio exige a ren&#250;ncia do sujeito a uma parte da satisfa&#231;&#227;o que pode obter com o gozo sexual ou agressivo, em nome do dever de amar ao pr&#243;ximo e a Deus. Em nossos tempos atuais, o prazer veio na frente, como sin&#244;nimo de liberdade e felicidade pessoal, sem se sacrificar, pagar promessa por isso. Eu tenho, eu posso, eu fa&#231;o por mim. Mas h&#225; perdas das virtudes morais p&#250;blicas e privadas. N&#227;o que tudo seja amoral. A cada vez que a base moral &#233; atacada, respondemos tipo &#8220;o mundo est&#225; perdido, no meu tempo, antigamente filhos respeitavam os pais&#8221;. Voltando aos pobres. E ao luxo, de onde n&#227;o sa&#237;, creio. Antigamente, o pobre ensinava aos filhos a viver, ter o que comer, onde morar, tudo bem simples, bem pobre. Hoje, com o hiperconsumo, pobres roubam os ricos por um Nike. E os meios de comunica&#231;&#227;o, agridem sem parar os mais pobres com chuvas de an&#250;ncios, ofertas de produtos, oferta de est&#233;tica, outro mundo, colorido, rico, lindo, meninas, meninos, um c&#233;u, exatamente em um pa&#237;s onde a maioria n&#227;o tem acesso a nada. &#201; cruel. O consumo cria uma frustra&#231;&#227;o nos pobres, porque se ao menos tivessem trabalho, Cultura, moradia, sonhariam em uma medida crescente, em cada um, em cada medida, e n&#227;o nessa chuva que n&#227;o podem alcan&#231;ar. N&#227;o &#233; o consumo que est&#225; errado e sim a n&#227;o exist&#234;ncia dos meios para os mais pobres desenvolverem suas aspira&#231;&#245;es. Ent&#227;o, o luxo vem como que preencher esse vazio. Enquanto colocamos tr&#234;s mil m&#250;sicas que nunca iremos ouvir em um iPod, outros compram produtos piratas para ter acesso a um simulacro de est&#233;tica. Vale a pena pensar sobre isso. </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">luxo 1</title>
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		    <updated>26.12.07 15:18:41</updated>
		    <published>26.12.07 15:18:41</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">LUXO 1 A id&#233;ia veio quando aguardava o in&#237;cio de um show (que afinal de contas n&#227;o terminou por conta da chuva) em Macap&#225; e assisti a entrada de vips locais, sobretudo a fam&#237;lia do Governador. As roupas, a postura. Fiquei pensando o que seria vip em Macap&#225;. Luxo em Macap&#225;. Tanto quanto vip em Bel&#233;m. Luxo em Bel&#233;m. Curioso como o microcosmo estabelece suas regras. Em suas ruas esburacadas, quase sem cal&#231;adas, marcas fashion como Zoomp, ocupam casas, pr&#233;dios de um pavimento, procurando, ali, constituir algo de sua nobreza, sua qualifica&#231;&#227;o. Paulinho Moska elogia o t&#234;nis de Fl&#225;vio Venturini e pergunta onde comprou. Em Madri. Mas isso depende do artista. Da pessoa. Ent&#227;o, j&#225; em Bel&#233;m, zapeando, passei no programa Saia Justa, que gosto por conta de Mait&#234; Proen&#231;a, a parenta linda e inteligente, bem como a fil&#243;sofa M&#225;rcia Tilburi. Comentavam a entrevista do franc&#234;s Gilles Lipovetsky, a respeito do luxo. Hum, muito bom. Lembrei do povo rico de Macap&#225;. &#201; que fomos almo&#231;ar em um restaurante t&#237;pico de l&#225;, &#224;s margens do que eles chamam igarap&#233;, mas pareceu riozinho. Ribeirinhos, pescadores, barquinhos, e andando em volta, encontrei um galp&#227;o onde vejo umas oito lanchas gigantescas, modernas, lindas, guardadas. Coisa dos ricos de l&#225;. &#201; preciso mostrar que se &#233; rico. Griffes, a cada cole&#231;&#227;o, parecem aumentar o pre&#231;o de seus artigos, na luta para se impor junto ao cliente, faz&#234;-lo sentir no bolso o esfor&#231;o para alcan&#231;ar aquela est&#233;tica. &#201; preciso proteger a marca do pov&#227;o, que vai ficar apenas desejando ou usando pirata. O luxo seria o inating&#237;vel para a maioria? Aquilo que simboliza exce&#231;&#227;o? O que poucos, o m&#237;nimo podem ter? A griffe, o luxo confere status? Algu&#233;m comentou que nos &#250;ltimos anos grandes marcas se tornaram mais acess&#237;veis, sobretudo aos novos ricos, que as desejam para confirmar status. Luxo acess&#237;vel como senha para entrar nos happy few. Assim, uma bolsa Louis Vuitton, &#233; encomendada, no Rio de Janeiro, por exemplo, por vinte e cinco mulheres. Cada bolsa, cinco mil reais. S&#227;o happy few. Reparem como as lojas das griffes mais caras ficaram mais acess&#237;veis, os vendedores mais simp&#225;ticos. Um amigo, na Oscar Freire, viu um rel&#243;gio Panerai, em uma vitrine. Pareceu-lhe custar R$2.500, com o que animou-se. Entrou, foi recebido como rei, ofereceram-lhe &#225;gua, caf&#233;, refrigerante, talvez um licor. Falou do rel&#243;gio que lhe foi trazido. Provou e ficou perfeito. Perguntou quanto e lhe responderam &#8220;dez de dois e meio&#8221;. Como assim, cretino, respondeu. Dez presta&#231;&#245;es de R$2.500. L&#237;vido, recomp&#244;s-se, pousou no rel&#243;gio no mostru&#225;rio, e procurando parecer indiferente, entediado, disse que pensaria no assunto e retornaria, ao que saiu da loja, nem t&#227;o r&#225;pido que parecesse fuga, nem t&#227;o lentamente que parecesse uma provoca&#231;&#227;o. Diferente de Danuza Le&#227;o, que em uma revista, disse que os muito ricos, s&#227;o diferentes. Quando viajam, &#233; em primeira classe, mas para l&#225; v&#227;o com sua pashmina, n&#227;o precisando o cobertor oferecido pela companhia. E a pashmina verdadeira, aquela que passa por dentro de uma alian&#231;a. Muito ricos n&#227;o vestem griffe. Suas roupas s&#227;o de alguns poucos lugares, bastante exclusivos, mas eles sabem. Seus carros s&#227;o importados, mas de uma marca n&#227;o muito evidente, e com modelo de uns quatro anos atr&#225;s, pois s&#227;o t&#227;o bons, que raramente v&#227;o para conserto e t&#234;m, sempre, alto valor de revenda. Para Danuza, o luxo n&#227;o &#233; somente demonstra&#231;&#227;o de riqueza, mas a procura da beleza atrav&#233;s do refinamento. Como ficam os pobres, nesta situa&#231;&#227;o? Alguns assaltam para tomar um t&#234;nis Nike. Outros usam t shirts onde o nome da griffe, enorme, &#233; estampado. A marca serve de status. Adiante, prossigo isso. Bem, pode-se aplicar o conceito do luxo em muitas outras &#225;reas. Para mim, luxo &#233; ter Cultura. Tendo, todo esse refinamento explicado acima &#233; decorrente. Sem Cultura, &#233; como vestir uniformes que n&#227;o nos pertencem, de verdade, pois no momento em que formos cobrados por os estar vestindo, ficar&#225; claro nossa falta de identidade. N&#227;o pertencemos &#224;quele mundo. Emprestamos os uniformes, mas n&#227;o damos conta das exig&#234;ncias. Para mim, luxo-Cultura, seria para todos, democr&#225;tico. Mas assim, deixaria de ser luxo? Certamente, dentro do refinamento, iria adiante, mais exigente. </content>
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