27.12.07
macapá
Não ia a Macapá há quase dez anos. A última vez, para apresentar Convite de Casamento no Teatro das Bacabeiras. Agora, para dirigir no palco o show que comemorou os 50 anos de Joãosinho Gomes e Val Milhomem, o primeiro, grande figura da música paraense, não festejado por aqui na medida certa, pelos velhos motivos de nossa índole e talvez por sua timidez. O segundo, figura mais característica de Macapá. Nilson Chaves foi o catalisador das ações, aproveitando a mesma equipe que desenvolveu o projeto que comemorou seus 50 anos há alguns anos atrás, aqui em Belém. Mais de cinqüenta artistas reunidos, todos cantando músicas dos autores festejados. Quase todos os hotéis lotados. Respirou-se música por alguns dias. Quando lá cheguei, dois dias antes, já houve o lançamento do cd de Juliele, cantora local, produzido por Nilson e Celso Viáfora. Túlio Feliciano dirigiu, no Teatro das Bacabeiras, lotado. Encontrei Carlos Henry Sandoval na platéia. À noite, rodas no Hotel Macapá para os artistas se mostrarem, uns para os outros. No dia seguinte, passagem de som. Muitos artistas juntos. Posso dizer que os paraenses impressionaram muito gente como Jean Garfunkel, Luli e Lucina, ouvindo, atentos.
E Macapá? Belém há dez anos? Ruas esburacadas. Falta de calçada. Camelôs. Lojas de importados. Alguns com carros importados. Lanchas gigantescas. Não tenho muita idéia da política de lá. O governador pareceu simpático, claro. É jovem, tem postura, mas leio aqui e ali, em blogs, coisas terríveis. Fico pensando em quanto em riqueza já se tirou dali. Pensando nos homens públicos de lá e daqui. Uma pena.
O Teatro das Bacabeiras está recuperado e muito bom, pelo que notei, sem chegar a seus bastidores. Uma das recepcionistas, também psicóloga, trabalha com teatro. Falou-me de algumas atividades e claro, ausência de política na área. De repente, vou com Nilson a um galpão onde está sendo gravado um programa de televisão local. É de auditório, mas não tem público. Penso que colocam gravação de palmas e risos. O apresentador é Olympio Guarani, que militou por bom tempo em Belém, no início da carreira. Com ele, duas moças de biquíni e gorro de Noel, além de um dj fazendo barulho. E no entanto, suas atrações são Sebastião Tapajós, Nilson Chaves, Celso Viáfora e já está chegando um coral infantil.. Há outros programas ao vivo em Macapá, absolutamente loucos. Uma dupla, a qual não lembro o nome, atua como a dupla Vesgo e Silvio Santos, do Pânico. Tudo tosco. Há outros, na linha de compras e tal. Tudo bem tosco, mas sinceramente, louvo a coragem.
O local do show é um dos mais belos onde já estive. Não conhecia. A Fortaleza de São José. Restaurada, linda, à beira do Amazonas/Oceano, ventando deliciosamente, sempre. Em seu entorno, gramados, pistas de corrida, tudo lindo, bem feito e se me entendem, sem megalomania. Lá dentro, ao ar livre, o palco. Claro que era perigoso, nesta época de inverno. Mas o dia estava razoavelmente bonito. A noite iniciou limpa, embora sem estrelas. As vans vão despejando os artistas. A hora para começar era oito da noite. Muito pouco público. Os locais me dizem que a hora de chegada não é essa. Mais tarde. Realmente. Fica lotado. Os Cabuçus, dupla local que faz sucesso em humor, fazem o início. Não acho graça nenhuma, mas os dois são educados, prestativos, ligados. Uma mulher que toca tambor de marabaixo inicia, de maneira sensacional. É uma fabulosa performer. Quanto sangue, verdade e talento! Mais um desses escândalos brasileiros que permanece apenas local. Já estamos chegando à metade quando vem o primeiro pingo. Chove. Alguns correm buscando proteção. A maioria suporta. Passa. Vem a segunda. Agora, a platéia se cobre com as cadeiras de plástico. No palco, os músicos, também, protegem-se com plásticos negros das goteiras em seus instrumentos. E então vem a terceira, uma tempestade, com rajadas de vento. Correria. Blackout. Pena. Os mais famosos nem se apresentaram. Garfunkel, que cantou, disse-me estar chateado pelos companheiros. O artista fica ligado. Ensaiou. Pensa na música. Na melhor maneira. Olha o público. O que vai fazer. O acompanhamento. Faz tudo isso enquanto circula, aguardando sua vez. Está ligado. Mais ainda porque além do público, há colegas famosos que vão assisti-lo. E de repente, acaba tudo. Muito chato. Nilson está bem chateado. O “capitão” reúne com os produtores locais. Há várias propostas, mas nenhuma é razoável. Vamos todos para o hotel onde forma-se uma grande roda, comandada por Luli, Vicente Barreto e Chico César. A festa vai longe. No dia seguinte, o Airbus da Tam vem lotado de artistas. O bom astral permanece. À bordo, um grupo de baile havia tocado em Macapá e regressava. Agora, todos pedem autógrafos e tiram fotos. Haverá próxima vez? Tomara
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