21.01.08
Torcendo pelo inimigo
Torcendo pelo inimigo
A melhor fotografia do atual estágio do futebol paraense é a equipe de anões, formada pelo técnico Lucena, da Tuna Luso Brasileira. Viramos uma atração de circo, desses que percorrem o interior, com leão desdentado e palhaços esfomeados. No resto do mundo, o futebol é uma mina de dinheiro. Domingo passado, assisti ao Real Madri jogar. Depois, com um toque de botão, passei à estréia de Pato, no Milan, cercado por Kaká e Ronaldo. E aqui? Há muito, nossas equipes sequer jogam aos domingos, em sua queda da Primeira para a Segunda e agora, Terceira Divisão. O campeonato regional foi forçado a ser reduzido ao início da temporada, como algo incômodo. Os estádios são ruínas que não resistem à mínima fiscalização. Os clubes, na mais completa miséria, seguem em frente rumo ao suicídio. No Paysandu, o técnico recebe 35 mil reais por mês. É salário de grande empresário nacional. E este milionário chega diariamente à Curuzu e se depara com o quê? Amadores, semi amadores, veteranos e pernas de pau querendo uma chance. Estádio em ruínas. No Remo, pior, chegam doze, quinze jogadores de fora. Onde estavam estes “grandes” jogadores, desempregados, na abertura da temporada, fora das duas primeiras divisões? Querem enganar a quem? E tudo isso por ingenuidade, incompetência ou corrupção?
Para não ficar apenas reclamando, faço algumas propostas, que no mínimo servirão para debate.
Tenham humildade e peçam para sair. Deixem que os jovens ocupem os lugares. Contratem gente saída das faculdades. Técnicos, profissionais de gestão, marketing, fisiologistas. Transformem o clube em empresa. Hoje, Remo e Paysandu não oferecem nada aos associados, mas pode ser que em algum tempo, possam retomar atividades. Zerem tudo no futebol profissional. Apostem nas divisões de base. Conformem-se em sofrer por um ano ou dois. Nem as tragédias no futebol do Maranhão e Amazonas foram suficientes? Transformem os estádios em geradores de renda. Apliquem as técnicas profissionais que são aplicadas nas empresas que dirigem em sua vida fora do esporte. Ou isso não é amar o clube? Valorizem o campeonato regional. O Pará é diferente. Tem dimensão de um país. Apostem no marketing. Negociem com as prefeituras. O governo precisa ter interesse. São impostos, dinheiro que vai circular. Turismo. Considerem se vale a pena continuar com a CBF, que não nos vê com boa vontade. E se juntarmos Pará, Maranhão, Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins e até Ceará para outra divisão? Somos diferentes. Para nós é verão, para eles, inverno. E, mais adiante, se conseguirmos torneios com os países da Amazônia Legal? Hoje parece bobagem, mas não é. Patrocínio, internet, integração. No Pará, conseguiram o impossível. Magoaram os torcedores. Envergonharam quem vai a campo. Foram golpes seguidos. Um atrás do outro. Estamos todos magoados. Tristes. Até as gozações que se ouvem nas esquinas, têm um tom de lamúria. Peçam para sair. Deixem os jovens tomar o controle. E nós, da imprensa, inevitavelmente sócios do negócio futebol, que apostamos em tecnologia, em pessoal, que temos a credibilidade dos anunciantes e torcedores, precisamos sentar à mesa de negociações com nossos sócios. Ou então passaremos a transmitir, com todas as equipes, rádio, jornal e televisão, a um Remo x Paysandu de anões, como circo mambembe. E isso precisa ser já. Todos os mesmos erros estão se repetindo. Quem vai pagar por isso. Os torcedores deixaram de torcer pelo inimigo.
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criado por edyrap.bel
14:19:04